Jane, The Virgin e a Questão do Aborto!

Dessas séries gostosinhas e com uma história para lá de divertida, Jane The Virgin tem um gostinho de novela mexicana. Eu virei muito fã. Devorei as quatro temporadas e fiquei torcendo para ter mais (as três temporadas estão disponíveis na Netflix, fica a dica). A série que promete ser divertida, não deixa a desejar no seu enredo. Entretanto, não é apenas uma série engraçadinha. A sua história se mistura com temas atuais e relevantes, como a imigração, a maternidade e a depressão pós-parto.

Na série, há a personagem de Xiomara e é com ela que surge a questão do aborto. Ela já é uma mulher mais velha, mãe da Jane (a protagonista) e que possui uma vida sexual ativa. Na terceira temporada Xiomara engravida do maior inimigo do seu ex-namorado e também pai da Jane. Isso acontece porque Xiomara terminou com Rogelio (pai da Jane) porque ele queria ter filhos e ela não e então, superando o término, Xô vai pra cama com Estebán de quem acaba engravidando. Digno de A Usurpadora. Dada às circunstâncias, Xiomara então, decide abortar. Jane apoia a decisão da mãe. Entretanto, quando Xiomara tinha apenas 16 anos, ela engravidou de Jane. Adolescente, ela vive uma paixão com Rogelio. Quando descobre a gravidez, Rogelio é o primeiro a dizer a ela que deveria abortar e sua mãe Alba também. Porém, Xiomara decide que teria a criança independente da opinião de todos. A série tenta passar o aborto como uma decisão respeitosa da mulher em relação a ela mesma e a vida. Entretanto, se olharmos a série de uma forma mais crítica, veremos que ela revela o problema da sociedade atual e a forma como as mulheres passaram a lidar com o sexo, e consequentemente, com o aborto.

Vivemos em uma sociedade machista e de anos para cá, passamos a viver uma transformação em conceitos e valores. Até então, homens deveriam ser pegadores e mulheres deveriam se guardar. Hoje se levanta a bandeira de que o sexo é para ser experimentado, não apenas para a procriação, e não existe mais essa de mulher que não vale nada por sair com todos. E é ai que entra Xiomara.

Xiomara é uma personagem interessante e que na série retrata a mulher pós-moderna e a forma como se relaciona com o sexo. O sexo que antes era motivo de escândalo só em ser pronunciado (tipo Você-Sabe-Quem) passou da condição de reprimido para ser interessante, desejado, e agora, infelizmente, banalizado. O que mudou também e que
Xiomara escancara com as suas atitudes é que o sexo existe para dar prazer e tendo esse prazer, logo ela estará feliz.

Muitos movimentos levantaram essa bandeira que o sexo deve ser sem tabus, onde cada um sabe quando e com quem deve fazê-lo. O sexo passou a ser uma experiência para consumo e que não deve acarretar consequências. Os homens já viviam isso antes, pois se de uma noite casual uma mulher engravidasse, logo teríamos uma mãe solteira. Esse conceito novo de sexo é aparentemente desejável e muitos têm comprado essa ideia. Porém, as consequências tem sido desastrosas. Isso porque a expectativa criada em volta dele para se alcançar felicidade acaba sendo frustrada pelo vazio que apenas Cristo pode satisfazer. Somente uma vez o sexo existiu e em volta dele não havia nenhuma expectativa egoísta e isso aconteceu lá no Jardim do Éden. A proposta de sexo criado por Deus para a humanidade é muito superior a qualquer outra que movimento algum possa oferecer. Quando o Deus Criador criou Adão e Eva, Ele os criou um para o outro: para serem marido e mulher, para servirem um ao outro, para fazerem sexo para dar prazer um ao outro e pasmem, para através do sexo, gerarem filhos.

Quando Deus formou o primeiro casal o sexo era puro porque não tinha as amarras do pecado que escraviza o homem e as suas vontades. O homem não usava a mulher e nem a mulher usava o homem. O sexo não gerava prazer apenas para um, mas para ambos. Não se ouvia falar em abuso sexual.

Deus, quando cria o sexo, Ele o cria com hora marcada para acontecer, com quem deveria e já era do conhecimento de todos os envolvidos que da relação sexual poderia nascer bebês e isso em momento algum, foi motivo de descontentamento para Adão e Eva, porque o ser humano em sua essência refletia o Criador: paz, alegria, santidade e liberdade.

Porém, temos Gênesis 3 em nossas Bíblias e nas nossas vidas. O pecado não só nos fez mentir e desobedecer, como mudou a nossa percepção daquilo que é bom para nós e agora, nos coroou como verdadeiros reis e rainhas que querem satisfazer seus próprios umbigos. Sexo não deixou de ser para procriação. Mas para nós, tudo passou a ser sobre prazer. Xiomara sempre soube que sexo poderia gerar filhos, afinal, foi de uma gravidez indesejada que nasceu Jane e mesmo assim, ela a quis. Verdade é que aborto não é uma opção para mulher, é uma conveniência. Os homens já se aproveitam dessa conveniência há muito tempo e agora as mulheres querem fazer o mesmo apenas com nomes (e consequências também) diferentes: em vez de abandono paterno, chamamos de aborto (afinal, sem útero, sem opiniões não é mesmo?!).

Eu olho para nossa sociedade hoje e vejo que estamos cometendo os mesmos erros do passado, apenas com aparências diferentes. No passado, o sexo para as mulheres era reprimido e servia apenas para a procriação. Os homens, que abusavam da força e do poder, usavam do sexo para satisfação pessoal independente dos meios. Como mulheres, lutamos contra isso e fomos para outro extremo. Hoje, querem legalizar o aborto. Querem uma sociedade onde as mulheres possam usufruir do sexo tendo a garantia de que se algo não acontecer como elas planejam, elas podem se livrar dessa consequência. E mais uma vez, temos uma vítima. Entretanto, essa vítima não tem voz. Pode parecer pessimista, mas, olhando o quadro geral, o ser humano sempre irá para os extremos e alguém sempre pagará um preço. A visão otimista ainda vem do Criador do ser humano. Quando nos criou, ainda sem forma, Ele colocou em nós Sua imagem e semelhança e disse que esse era o nosso valor. Mas nós fomos manchados e estragados pelo pecado, por isso sempre usamos da força para machucar aquele que está abaixo de nós e hoje valorizamos tão pouco a vida e damos outros nomes para o assassinato. Jesus, o Filho de Deus, o próprio Deus, o Rei dos reis, entretanto, não nos deixou. Ele se colocou na mesma condição de humano, porém sem pecado. E mais uma vez, a sociedade matou um inocente. Porém, dessa vez a morte não venceu. Cristo, ressuscitado e vivo, é a resposta, é o perdão, é a esperança. Em Cristo temos uma nova proposta de sexo, de relacionamento e de vida. Com Cristo, podemos ser perdoados dos erros do passado e encontrar paz para o futuro e para os nossos bebês.

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Mari Patzer